A exemplo daqueles pais e filhos muito parecidos e que, por isso mesmo, vivem às turras, com o PT e PSDB está acontecendo fenômeno semelhante. Nascidos em circunstâncias muitos diferentes, retas paralelas, parece que o ângulo vem se fechando, o que indica um encontro de políticas. Porém, à medida que ficam mais parecidos, as brigas e acusações de parte a parte se tornam mais acirradas, como se os dois quisessem negar a realidade. De ambos se ouvirá que um copiou a política do outro. O PT dirá que o Partido da Social Democracia Brasileira passou a defender suas políticas sociais; o PSDB dirá que o Partido dos Trabalhadores assumiu vários aspectos sua política econômica. Ambos parecem ter razão.
(NO QUESITO “escândalos”, há arsenal suficiente para uma guerra prolongada de ambos os lados.)
PRIVATIZAÇÕES
Depois de muito apanhar, sob a acusação de querer privatizar a Petrobras, o PSDB jurou na última campanha presidencial que isso não estava nos planos do partido. Pelo contrário, iriam eles “reestatizar” a companhia, que estaria a serviço dos interesses particulares do PT.
PORÉM, recentemente um dos líderes do partido, o senador José Serra (SP), veio a público para dizer que o governo deveria vender algumas empresas pertencentes à Petrobras para a iniciativa privada, preservando estatizadas apenas a sua “função básica” de prospecção, extração e produção de petróleo. Militantes do PT apressaram-se em divulgar que a proposta do senador paulista era a “confirmação” da tese petista de que o escândalo da Petrobras está sendo inflado pela “mídia golpista” para facilitar a privatização da empresa.
ABSTRAINDO-SE o fato de que se não houvesse roubo não haveria escândalo, há mais um problema no argumento petista. Em dezembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff anunciou a disposição de abrir o capital da Caixa Econômica Federal, o que para a ortodoxia de esquerda equivale à privatização, só que não houve a mesma grita por parte dos petistas. E a Caixa, é preciso reconhecer, caso transformada em uma S/A, corre risco de privatização maior do que a Petrobras atravessaria desfazendo-se de algumas empresas do grupo. Sim, pois a Caixa é um banco social - com funções bem específicas - e o governo já tem um estabelecimento comercial, o Banco do Brasil: para que dois?
PROGRAMAS SOCIAIS
Quanto aos programas sociais, especialmente o Bolsa Família, os tucanos atacaram o programa em seu nascedouro, tachando-o “eleitoreiro” e de “esmola presidencial” a serviço de um “populismo rasteiro”. Durante a campanha, acusado de querer acabar com o Bolsa Família, o PSDB transformou-se em seu defensor desde criancinha, inclusive propondo uma lei
para transformá-lo em “programa de Estado”.
POR SUA VEZ, ao ser reeleita, Dilma “esqueceu-se” de algumas propostas de campanha, nomeou um ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que poderia tranquilamente servir a um governo do PSDB, e começou a aplicar algumas medidas que, se estivesse na oposição, o PT chamaria de “neoliberais”.
PORTANTO, o que se vê é uma espécie de amálgama de dois programas parecidos convivendo esquizofrenicamente em partidos separados. Assim sendo, o melhor seria a fusão entre os dois partidos. Tenho até uma proposta de nome para a nova sigla: Partido dos Trabalhadores da Social Democracia Brasileira (PTSDB); e o símbolo poderia ser um tucano com uma estrela no bico ou uma estrela com um tucano no centro.
Pródigos parlamentares
A propósito, entre fevereiro de 2011 e 15 de janeiro de 2015, mais de R$ 753 milhões de recursos públicos foram gastos por deputados e senadores com passagens aéreas, hotéis, refeições, aluguel de escritórios e veículos, combustíveis, entre outros itens. Sem licitação. O levantamento é da Revista Congresso em Foco (http://migre.me/oNxag).
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domingo, 8 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
Conservador, Reacionário ou Revolucionário
Farei aqui uma análise minuciosa do livro As Ideias Conservadoras Explicadas a Revolucionários e Reacionários, do jornalista e escritor português João Pereira Coutinho. A primeira coisa boa: ele é não um dos chamados “pit bulls”, que muitos confundem com conservadores, que proliferam na imprensa, destilando ódio e preconceitos. Coutinho tem prosa elegante e melíflua; costuma brandir argumentos e não um martelo (ou os dentes).
De saída, Coutinho rejeita ver o conservador como sinônimo de reacionário. Para ele, trata-se de “caricatura” equiparar a ambos, apesar de reconhecer que existe uma linha de tradição reacionária no conservadorismo. O mais importante, porém, diz, é que o conservadorismo político luta por preservar aquilo que é importante no presente, enquanto o reacionário sonha com o retorno a um passado idealizado.
Quanto aos revolucionários, Coutinho considera que a “imperfeição humana” desautoriza projetos grandiosos e abstratos, “porque a complexidade dos fenômenos sociais não pode ser abarcada, muito menos radicalmente transformada rumo à perfeição, por matéria tão precária”. Mas, ressalta, a ideologia conservadora não nega a possibilidade de se melhorar as condições dadas, pois seria “historicamente obtuso”.
Para ele, o que define a teoria e a prática dos reacionários e dos revolucionários - e os torna iguais com sinal trocado - é o “repúdio” ao presente, cuja “fruição”, daquilo que passou no “teste do tempo”, é valorizada pelo conservadorismo político. Enfim, o conservador rejeita as utopias, sejam elas reacionárias ou revolucionárias.
Mas como se definiria a ideologia conservadora, na visão de Coutinho? Para ele, o conservadorismo é uma “ideologia posicional e reativa”. Posicional, porque rejeita uma atitude a priori, como fazem as ideologias reacionária e a revolucionária; o conservador age de acordo com a situação que se apresenta. Reativa, pois emerge quando os “valores do presente” estão em perigo, recolhendo-se nos tempos de calmaria (se é que os há).
Coutinho afirma que o conservadorismo também se distingue de outras “ideologias mais moderadas”, como o liberalismo clássico ou socialismo (que ele chama de “liberalismo progressista”), pois elas também se apresentam com “um ideário a cumprir, de forma trans-temporal e trans-espacial”. Diferentemente, o conservadorismo político atua de acordo com a situação, “de maneira humilde e prudente”. Assim, se para o liberal a prioridade é a liberdade e para o socialista a igualdade, o conservador estabelecerá o primado de cada uma “consoante as circunstâncias”.
O escritor português também rebate a ideia corrente de que o conservador é imobilista. Ao contrário, para ele, o conservadorismo político “é indissolúvel de uma ideia de reforma”, pois a mudança é um “importante mecanismo de conservação” daquilo que se encontra em risco na sociedade. E vai em busca do maior exemplo histórico para justificar a sua tese: “Foi por terem recusado a reforma que os franceses se condenaram, e condenaram a Europa à revolução”.
Seria positivo se as ideias de Coutinho ajudassem a dar um rumo à “nova direita” brasileira, fazendo-a desistir do apelo reacionário à ditadura.
Todo mundo...
“Todos somos conservadores. Pelo menos em relação ao que estimamos. Família, amores, amigos. (...) Conservar e desfrutar são dois verbos caros aos homens que ainda estimam alguma coisa.”
...é...
“Existem pessoas que, apesar de uma disposição conservadora, não subscrevem, necessariamente, uma preferência política pelo conservadorismo.”
...e não é
“E o inverso também sucede: pessoas de posição mais radical nas suas personalíssimas condutas que, politicamente falando, subscrevem posições conservadoras.”
Macaco é ''Gente''
Um indivíduo toma um choque e cai desmaiado em cima do trilho de um trem. Um colega dele corre para prestar socorro e tenta reanimar o ferido, que não dá sinais de vida. Então, ele faz outra tentativa, mergulhando a cabeça do acidentado em uma poça de água, chacoalhando seu corpo. A operação demora cerca de 20 minutos até que o ferido recobra a consciência, e o sujeito que o salvou - pondo em risco a própria vida -, fica a massagear-lhe as costas.
Um menino cai em um fosso e, indefeso, corre o perigo de ser atacado por um bando de sujeitos que está próximo. Um deles corre para acudir a criança, protege-a com seus braços, até entregá-la para receber os primeiros socorros.
No primeiro caso, os personagens são dois macacos-rhesus. O episódio aconteceu em uma estação de trens na Índia, repleta de humanos, que limitaram-se a filmar a cena.
O segundo, foi em um zoológico dos Estados Unidos, envolvendo um humano (a criança) e uma gorila fêmea, que tomou o menino no colo, e a deixou a salvo em cima de uma pedra, ao lado da porta usada pelos tratadores para alimentar um bando de gorilas.
Os dois casos voltaram-me à memória devido à decisão da Justiça Argentina, que concedeu habes corpus a Sandra, uma fêmea de orangotango, que vive no zoológico de Buenos Aires, para que seja libertada em um santuário para animais.
A Câmara de Cassação Penal (tribunal penal máximo da Argentina), por unanimidade, reconheceu a orangotango como “sujeito não humano”, privado ilegalmente de sua liberdade. A decisão poderá criar jurisprudência, pois até então, a Justiça argentina considerava animais objetos e não sujeitos. O processo foi iniciado por ativistas dos direitos dos animais e o zoológico poderá apelar à Corte Suprema de Justiça.
Para a Associação de Funcionários e Advogados dos Direitos dos Animais (Afada), a decisão abre caminho para que tanto os grandes símios quanto “outros seres sencientes”, que se encontram privados de liberdade em zoológicos, circos, parques aquáticos e laboratórios, possam ser libertados. (“Senciente” é o ser capaz de sofrer, sentir prazer ou felicidade.)
Há tempos ativistas dos direitos dos animais e muitos cientistas deixaram de separar a espécie animal em “racionais” e “irracionais”, preferindo falar em “níveis de racionalidade”, na qual, por enquanto, nós humanos continuamos no topo (com as máquinas mordendo-nos os calcanhares.)
Produzir ferramentas, dispor de linguagem, reconhecer a própria imagem, fazer alianças políticas com membros do grupo, planejar ações - são competências das quais também dispõem os grandes primatas. E, a exemplo dos humanos, eles podem usar para essas habilidades para praticar o altruísmo ou a guerra.
No livro Macacos (Publifolha), Drauzio Varella comenta as características dos quatro grandes primatas: orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos. Mostra como os nossos primos se organizam em sociedade, como disputam o poder, fazendo coalizões e se arranjam em acordos para conquistar aliados - e também como se preparam para a guerra. Em um dos trechos, ele relata como um grupo de chimpanzés (sete machos adultos, uma fêmea e um adolescente) se organizam para atacar o bando vizinho, e como eles conduzem a expedição punitiva em silêncio, até surpreender, com um
violento ataque, com paus e pedras, o líder rival.
Créditos
Para ver: macaco-rhesus salva companheiro na Índia (migre.me/nNsVI); gorila tira criança do fosso e a entrega a tratadores (migre.me/nNt4T). Para ler: as informações sobre a decisão da Justiça da Argentina, reproduzidas neste artigo, são de notícia publicada no portal da Deutsche Welle (http://migre.me/nNthd).
Coalizões
Diferentemente dos gorilas e orangotangos, entre os chimpanzés o líder não é necessariamente o mais forte, porém, o que consegue estabelecer melhores alianças. Os bonobos formam uma sociedade matriarcal, com as coalizões femininas comandando os machos. Diferentemente dos chimpanzés, a convivência entre os bonobos é pacífica, obtida por meio de estratégias sexuais.
Bonobos e o sexo livre
Todas as práticas sexuais humanas já foram registradas entre os bonobos: macho-fêmea, fêmea-fêmea, macho-macho, fêmea adulta-macho juvenil, macho adulto-fêmea juvenil, macho adulto-macho juvenil e os juvenis entre eles. (As informações das duas últimas notas são do livro Macacos.)
sexta-feira, 6 de março de 2015
Os ''Intocáveis''
O brasileiro nunca se cansa de dizer que “neste país quem tem dinheiro (salvo algumas exceções) não vai preso”. Pois bem, cada um destes pastores citados acima possui um poder monetário descomunal, tendo acesso aos melhores advogados e recursos disponíveis, o melhor que o dinheiro pode comprar.
Isso somente já bastaria, entretanto cada um destes homens possui milhares ou mesmo milhões de seguidores em todo o país, pessoas que, não importa o que seja dito, apoiarão o seu pastor incondicionalmente. Desta forma, qualquer ação contra qualquer um deles gera uma certa revolta popular.
O mesmo povo que os segue, é o povo que elege nossos governantes, de vereador à presidente. Desta forma político algum irá querer se mostrar contra eles em qualquer momento, muito pelo contrário, irá procurar agradar os mesmos para serem favorecidos, ou pelo menos não serem prejudicados, no momento da eleição.
Para completar, cada um deles possui uma rede de rádios e até canais de televisão trabalhando ao seu favor. Edir Macedo é o dono da Rede Record, uma das três maiores redes de televisão do Brasil. Valdemiro Santiago, além de aparecer diariamente na Band, já está providenciando a compra da CNT. Já R.R. Soares, além de aparecer diariamente na TV em horário nobre, na Band e na Rede TV!, é dono da RIT TV e de uma operadora de TV por assinatura.
Desta forma estes líderes religiosos são tratados de forma excepcional, contando inclusive com passaportes diplomáticos, presentes caríssimos de políticos e empresários, influência política e isenção de impostos em suas igrejas, uma vez que, para a justiça brasileira as mesmas são entidades filantrópicas sem “fins lucrativos” e por conta disso não pagam Imposto de Renda, IPVA ou mesmo IPTU, mesmo movimentando quantias milionárias de dinheiro.
E você, o que acha disso tudo?
sábado, 22 de março de 2014
A sua segunda pessoa.
Você é o mesmo que interage em redes sociais? Sua postura é totalmente inversa a que tem no mundo real? Algumas pessoas acabam, mesmo que inconscientemente, adquirindo uma personalidade sonhadora, promíscua, irreverente, filantrópica ou agressiva que reside no momento que ela ''vive'' na rede social.
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